O início da jornada

Pobre rapaz que mal havia saído da infância e já tinha que carregar um fardo tão pesado em suas costas. Um mundo inteiro em perigo e apenas ele poderia salvá-lo. Sua indiferença exterminaria a todos seus poucos amigos e até a ele mesmo. Não era hora de ficar parado.

Recebeu o chamado por um sonho: uma voz tão suave quanto doce invocava seu nome em urgência. “Preciso da sua ajuda, você é o único capaz de salvar nosso mundo”. De quem era a voz, ele não fazia ideia, mas sentiu-se empolgado com o fato de finalmente ser útil para alguma coisa. “Todos devem ter um propósito. Qual é o seu, meu jovem?”, um ancião uma vez o perguntara e ele se manteve calado. Agora havia chegado a hora, havia chegado o seu destino.

A costa de sua mão esquerda ardia de dentro para fora, uma coisa que nunca tinha sentido antes. Ignorou. Fez seus preparativos para sair. Não tinha muitas coisas, mas o suficiente pra se manter por uns dias: algumas provisões, uma algibeira amarrada na cintura e uma capa velha esverdeada com capuz, pois chovia naquela manhã. Meteu-se em suas botas de couro, cobriu seus cabelos claros com o capuz e saiu pela porta de sua casa sem nem mesmo saber se algum dia voltaria a vê-la novamente.

Sua primeira sensação era de ansiedade por essa aventura. Parecia que tinha esperado uma vida inteira por ela, havia brincado tantas vezes de ser um cavaleiro, um guerreiro ou até mesmo um lutador, que parecia ser capaz de enfrentar qualquer obstáculo, criatura ou terreno ruim. Mas uma sensação maior que essa a encobriu: a dor de sua mão queimando, ardendo, latejando. Ele a encobriu com a palma da mão direita, pressionando o mais forte que podia até desmaiar de dor em frente à entrada de uma caverna escura.

“Você precisa conquistar o caminho. Não estou distante, siga a sua intuição e seus instintos o trarão até mim. Por favor, venha rápido. Eu confio em você”. A figura distante de uma mulher inundava sua mente quando acordara no interior da caverna. A princípio ele não conseguia enxergar nada além de duas tochas. Em seguida viu sua capa estendida a sua frente, encharcada. Suas roupas estavam úmidas, mas quase secas com o calor do seu próprio corpo. Percebera que sua mão esquerda estava enfaixada e a dor agora era apenas um leve desconforto. Girou a cabeça e se assustou com a figura que viu de repente: um homem velho, debilmente iluminado entre as duas tochas.

“Então nos encontramos novamente, meu jovem” – disse-lhe o senhor – “Percebi que finalmente encontrou o seu propósito e que está nesse momento indo em direção a ele. Eu vi a marca em sua mão”. O rapaz havia se levantado e ouvia o velho com atenção enquanto vestia sua capa com urgência e agradecia o tratamento que o senhor lhe prestara. Já estava na saída da caverna quando o ancião lhe chamou a atenção com um som de metal tilintando. Segurando uma espada com as duas mãos e oferecendo-a a ele, disse: “É perigoso sair sozinho. Pegue isto”.

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Mais uma colaboração de Thiago Radice.
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