Identidade


Fosse por medo ou fosse por sorte, o rapaz jamais falara sobre si mesmo a ninguém. Passava desapercebido nas rodas de conversa, se afundava na penumbra de todos aqueles egos e morais, e isso o deixava feliz. Ser invisível era a melhor de suas habilidades e acabou sendo também o seu final. Já nem era mais tão rapaz assim quando notou que sua vida inteira fora vivida na obscuridade, criando e não sendo reconhecido, aceitando cada golpe da faca do destino como sendo merecedor do açoite. Percebera então sua súbita frustração por todos aqueles que ajudou, salvou e ergueu, porém, nunca o haviam agradecido diretamente. Ele era o outro, mas o outro não era ele. Afastou seus pensamentos ruinosos, retirou os óculos da face, vestiu o seu manto e voou novamente ao chamado de alguém.
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Indisposição

Piscou. O alerta foi dado. Piscou. Fez-se todo o alarde. Piscou, coçou, suspirou. Arregalou! O alarme não para, é alto mas parece tão longe. Levante-se! – pensou – sustente-se! – bradou. O alarme não para. O alarme não funciona. Soou. O segundo alarme começou tão lentamente que ele pensou ser o mesmo. Aumentou! Seu ouvido agora entendia. Levante-se! Sustente-se! – brigou. Seu corpo já não respondia. Abaixou, minguou, parou: silenciou. Esqueça… – ponderou – agora é tarde. Acabou.

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Microcontos trazidos a você por Thiago Radice.

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