A flor do deserto

No meio de um extenso deserto, existe uma flor, de pétalas alvas e vistosas. Ela está lá, sozinha e firme (aparentemente).

Ela não lembra quando foi a última vez que choveu por aquelas paragens, mas a Natureza é sábia e fez com que ela aprendesse a guardar alguma umidade em suas raízes.

O sol é árduo o dia todo, não há sombra para ter uma trégua do calor, e à noite há poucos ventos para refrescar.

A flor está lá sozinha no deserto, sem um jardineiro para lhe regar, dar atenção. O solo nem sequer é rico em nutrientes, o chão é arenoso e insípido.

Mas a flor é persistente, e desde o instante em que começou a germinar acima do solo, ela é uma lutadora, brigando pela vida, mesmo que ela seja injusta.

Quando o vento sopra, leva seu doce perfume por quilômetros de distância, e isso consola a flor, pois ela pensa que sua fragrância leva alegria para outro ser vivo. O que ela não sabe é que não há criatura alguma nas redondezas, e se algum botânico visse uma foto sua, não saberia dizer seu nome nem que cheiro tem.

Como podem ver, a vida é ainda mais cruel do que ela aparenta, mas a ignorância, às vezes, é mesmo uma bênção.

E a flor continua lá, de pé, sozinha no calor do deserto vazio, e você aí, que tem outros para conversar, rir, chorar, dividir seus momentos bons e ruins, reclama do quê?

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