Meu amigo esqueleto

Esqueleto, você é meu amigo. Nos conhecemos desde sempre acho. Eu tinha 7 anos, hoje tenho 21.

Nós somos parecidos. Somos esquisitos. Você, aí, feito só de ossos, e eu aqui, com meus problemas, com minhas mágoas, com minhas lágrimas.

Você não tem carne nem veias nem sangue pra proteger seus ossos.

Eu prometi que estaria pra sempre ao seu lado, que seria seu amigo pra sempre.

Mas isso mudou quando você me deixou numa situação constrangedora, lembra?

As pessoas não entendem o que temos, não sabem o que já vivemos juntos.

Mas você ao meu lado, na rua, assim sem roupas, sem vida…

Quando éramos mais novos, até que era fácil. Afinal, só as crianças caçoavam da gente. Mas os adultos… Ah, eles sim são cruéis! E um martelo torna um dos meus piores pesadelos em realidade: occipital, mandíbula, costelas, rádio, tíbia, fíbula… Cacos voando no ar. Sua jaula se vai diante dos meus olhos.

Esqueleto, você é meu amigo. Eu prometi estar pra sempre ao seu lado. Mas você agora é só pó e eu, só lágrimas.

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Microconto inspirado na música “Skeleton Song”, da Kate Nash.

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