Faça bem feito.

O sistema de segurança havia falhado. No inventário, por algum motivo, fizeram a contagem errada. Faltava agora um item. Não havia mais como remediar. O sistema de alerta, com vida própria e próprio julgamento, já havia verificado uma incompatibilidade entre a contagem real e o que marcava no relatório.

– Você colocou coisas a menos no relatório?

– Eu ia corrigir o erro, mas acabei esquecendo.

– Como se esqueceu? Meu Deus, você percebe agora no que estamos metidos?

– Sim. Eu…

Arrastou-se, por debaixo da estante. Não haveria agora outro jeito, senão tentar fugir. Pensou nos dutos de ventilação, não sabia se eram selados. Não sabia, na verdade, se haveria ali também algum esquema de segurança.

– Como eles morrem?

– Eu não tenho certeza. Nunca achei que eu fosse precisar um dia me safar de algum deles.

– São dois?

– Sim, um macho e uma fêmea.

– Mas o que você sabe sobre essas criaturas?

– Sei que… ahn, são guiados pelo olfato, são cegas…e… a mordida é letal. Pela composição da sua pele, arrastam-se ligeiras. Eu… por isso eu desconsiderei os dutos de ventilação, elas… se sairiam muito bem lá. Eu acho.

Andaram pelo armazém, procurando qualquer objeto para poderem se proteger. Preferencialmente algo afiado. Não havia nada ali que fosse inteiramente satisfatório.

Era um lugar imenso, porém um labirinto, e fora assim construído justamente para que não fosse resolvido com facilidade, em caso de alguma eventualidade futura.

– Você não tem nem um mapa?

– Todos temos. Mas eu não trouxe.

– Você…. seu filho de uma puta, como você não trouxe essa merda?

– Olha…eu…eu sei que você está nervoso, eu também estou, não quero morrer por conta dessas criaturas, mas eu nunca imaginei que um dia fosse ficar preso aqui. Eu… eu nunca ando com o mapa.

Procuraram por esgotos. Talvez, sendo discretos, poderiam entrar pelo esgoto, sem alarde, e procurar uma saída para a rua. Mas os canais eram bloqueados com imensas barras de ferro.

Não havia jeito, teriam que ficar e lutar. Com o que quer que fosse. E com o que estivesse em mãos. Sem saber o que os aguardava, ficaram de costas um pro outro, cada qual com o seu objeto em mãos, suando frio, ofegantes.

E que o jogo comece…

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