Pandora’s Box – Prólogo


O Mar. Ah, o Mar.
Essa vastidão azul, repleta de segredos, tesouros, monstros e quem sabe mais o que. Ah, e claro… Piratas. E essa é uma pequena história de um desses piratas e seu também pequeno navio.

Navegando devagar por uma maré calma, o Capitão Kyle voltava de um saque bem sucedido. Ele e sua tripulação abordaram um navio mercante dois dias atrás e conseguiram saquea-lo por completo, conseguindo provisões, bastante ouro e um pequeno baú. A parte estranha deste saque era que o navio mercante em questão estava a deriva e completamente abandonado. Não fosse alguns poucos sinais de luta aqui e ali, teriam dito que era um navio fantasma.
Felizmente Kyle não era um capitão lá muito impressionável. Apesar dos poucos anos no mar, já tinha passado por poucas e boas nele. E em terra também. Seu sorriso bobo e vestimentas maltrapilhas escondem um corpo forte e cheio de cicatrizes, além de uma personalidade dominante; Marcas de um bom capitão.

Seja como for, voltavam de um belo saque e, em sua cabine, Kyle observava o pequeno baú de prata, fechado e intocado. De todos as coisas que saquearam, o baú era o mais estranho. Foi encontrado dentro de outro baú maior e preso por correntes intocadas. Kyle podia jurar que escutava vozes o sussurrando, vindas da fechadura dourada, instigando-o a abrir a caixa e clamar seus tesouros. Mas com sua experiência, sabia que nada de bom poderia sair de uma caixa que instiga a loucura em sua mente, e decidiu guarda-la para investigar melhor quando estivessem no porto.

Infelizmente o porto teria que esperar, afinal um grito de “Navio a estibordo! Aproximando-se rápido” correu pela embarcação como fogo e logo Kyle estava em seu convés não acreditando no que acontecia.
O outro navio, todo preto e pelo menos duas vezes maior que o seu, aproximou-se com uma velocidade espantosa e, pior, despejava sua tripulação para o seu convés; uma tripulação que, é muito válido constar, consiste primariamente de  humanos e de outras raças, todos em visível decomposição.

Kyle, e toda sua tripulação, lutaram bravamente com seus mosquetes, pistolas, punhais, rapieiras e sabres. Nenhum lutou mais ou melhor que o Capitão Kyle, que empilhava corpos de seus oponentes enquanto gritava ordens de ataque para seus fieis homens. Porém logo os corpos foram diminuindo e as ordens começavam a ser de abandonar o navio.
E logo não tinha mais pra quem dar ordens, mas continuava a bradar diversos xingamentos enquanto lutava no seu caminho até sua cabine. Não tinha mais nenhuma bala e só seu fiel sabre se mantinha, não tão firme, entre ele e seus atacantes.
Mas de súbito eles pararam de avançar, deixando somente suas respirações ofegantes e o som do mar soar por uns instantes, logo o som de passos no corredor tomou o lugar.

Um homem grande, nada de “alto”, mas sim “maciço”; Deveria dar cerca de 2 de Kyle, tanto para cima quanto para os lados; Não sabia dizer se era um minotauro, um orc ou somente um humano gigante, só sabia que ele se aproximava e parou logo a porta de sua cabine, chutando alguns corpos do seu caminho.

– Eu o parabenizo por ter sobrevivido até aqui. Agora, antes que morra, me dê o baú.

Kyle pareceu meio atordoado, mas ele diria que era somente o cansaço se lhe perguntassem. Baixou o sabre um pouco e caminhou até sua mesa tranquilamente, retirando o baú de uma das gavetas e segurando-o na frente do corpo.

– Coisinha interessante. Se importaria de dizer o que tem dentro antes de eu lhe dar e você me matar ou é pedir de mais?

Perguntou com a mesma calma de antes, embainhando seu sabre em sinal de rendição e colocando a caixa em cima da mesa, com a mão ainda por cima da mesma.

– Sim, me importaria. – Respondeu ríspido, esticando a mão pedindo pelo baú.

Kyle levantou o baú devagar e, de súbito, arremessou-o no ar. Estava na hora de mostrar por que era considerado um dos melhores piratas deste mar e talvez morrer no processo.
Logo após arremessar o baú, desembainhou seu sabre com uma velocidade tremenda, cortando para cima, cortando a tampa do baú com uma precisão incrível, como manteiga, e com a mão esquerda retirou sua pistola dos trapos da calça, acertando novamente com precisão, a última bala na testa do homem incrédulo a sua frente.

A sequência de eventos que se seguiu consegui ser mais impressionante. Do baú recém aberto, um turbilhão de coisas prateadas rugiu pelo cômodo, circulando-o e passando por dentro de Kyle dolorosamente, uma dor fria e aguda, mas logo se retirando dali com um som espectral aterrorizante, passando pelo homem-gigante que caía aparentemente em câmera lenta, deixando ele próprio sair de seu corpo uma dessas coisas espectrais que, novamente, passou por dentro de Kyle e foi parar… Dentro do baú, que voltou a se fechar com um clique como se nada tivesse acontecido. Junto disso, todos os mortos-vivos que haviam atracado em seu navio caíram finalmente mortos e o único realmente vivo naquele navio também caiu, incrédulo e com mais perguntas que respostas.

Única coisa que conseguiu falar por uns minutos foi
“O que foi que aconteceu…? E no que foi que me meti?”

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