Diário de Bordo

“Diário de bordo. Data estelar 35B200-12. General Bohramed, a bordo do Cruzador Sparagonzalotti a serviço do Império.

No alvorecer de um dos hemisférios, a frota estacionou na órbita do planeta P’Semes, rico em recursos vegetais e minério gandhita.

Enviei somente um destacamento de 50 soldados para fazer um breve reconhecimento e tentar contato com os nativos. Após algumas horas de sondagens, o capitão destacado, Kindhared, reportou o contato com os pequenos Rostali, uma raça humanóide de pequeno porte que vive em tribos e usam lanças e tacapes como armas. Kindhared tentou um acordo pacífico para a exploração do planeta, mas não obteve êxito, e os soldados do Império foram emboscados por um grande número de nativos, o que demandou o total extermínio dos Rostali, que não são páreos para o poder de nossos rifles de fótons. No decorrer do dia, destaquei 25 cruzadores para localizar e destruir todas as tribos dos nativos num raio de 500 quilômetros para garantir o assentamento e extração dos recursos naturais de P’Semes. Só Gorjali – bate no peito – sabe da necessidade de matéria-prima para a atual expansão do Império.

Diário de bordo. Data estelar 35B200-17.

Após dois ciclos de buscas, encontramos o oculto planeta rosado que é conhecido apenas como O Pequeno de Sigma VX. A paisagem desértica deste pequeno mundo é uma das coisas mais lindas que já vislumbrei nesses vintes anos trabalhando pro Império. O destacamento do Capitão Bo Kazhared não encontrou resistência “inteligente”, mas nos deixou plenamente satisfeitos pela abundância das criaturas Zuri’g, conhecidos pela excelente carne. Alguns exemplares foram abatidos e preparados pelo cozinheiro-mestre do Cruzador Spirallelya. Alguns centiciclos depois fui alertado da morte de dezenas de soldados, vítimas de alguma criatura desconhecida. Enviei mais dois destacamentos, liderados por Jomhaled e Tortony, para dar cobertura a Kazhared, e fui informado que os seres que estavam atacando nossas tropas eram os Villee, vegetais rápidos e mortais. Eu já havia ouvido falar deles, mas nunca soube em que planeta eles viviam. A situação foi controlada em meio ciclo graças ao uso de cospe-labaredas e granadas de fogo-gel. Só então parti com o resto da frota para o próximo quadrante.

Diário de bordo. Data estelar 35B200-19.

Fui informado pelo Capitão Johmaled que no Pequeno de Sigma XV foi encontrado também os minérios gorthomita, safirita e gandhita.

Diário de bordo. Data estelar 35B200-27.

Acidentalmente encontramos um planeta gigante (classe 7), orbitando a binária de Gosvol, que nossos computadores identificaram como sendo “Tanikk” que, até onde sei, são duas palavras aglutinadas do antigo dialeto zzinol. Tanikk é coberto por vastos oceanos e, pelo pouco que as sondas detectam, coberto por uma densa vegetação. Aposto minha cabeça no tabuleiro de Gorjali – bate no peito – que há muitos tesouros aqui.

Subitamente, perdemos o contato com os cruzadores Ronalis, Zerinoski e Rampstalla, e o Capitão Tranvakhed, a bordo de Jomakstar, que os tinha em seu campo visual, reportou que as belonaves estavam sem energia e iniciavam um mergulho para a morte ao adentrar na atmosfera de Tanikk. Recomendei ao capitão que se afastasse dali, mas logo perdi contato com a Jomakstar, seguidos por Torndeli e Zurigsi também. De toda tropa, só restaram Zumaronov e a minha Sparagonzalotti. Exigi respostas dos cientistas e engenheiros que estavam na ponte de comando e fui informado que nossas belonaves foram pegas numa espécie de pulso eletromagnético. Foi então que me lembrei que a bordo de cada cruzador é transportado um espaçoplanador, livre de máquinas e que se move nas ondas solares. Recomendei à tripulação das duas belonaves restantes para que os espaçoplanadores fossem carregados com vinte soldados (que é a lotação da nave), e eu fui pessoalmente para o espaçoplanador da Sparagonzalotti. Adentramos a órbita do planeta e iniciamos um suave mergulho, quando ouvimos um som que parecia uma canção, que encheu o ar de uma luz esfumacenta azulada, que destruiu nossos rifles. Era esse o pulso que acertou os cruzadores que perdemos…

Quando avistamos a superfície iluminada pela binária, presenciamos algo impressionante: criaturas marinhas, gigantes e semelhantes aos volkoni (mamíferos marinhos semelhantes a um peixe), que cantavam aquela “canção” e saltaram do mar, voando em direção ao espaçoplanador que veio da Zumaronov, e o acertou com um golpe rápido da cauda, e depois os tripulantes que caíram da nave destruída foram devorados pelos monstros. Eram vinte ou mais que voavam em nosso campo de visão. O piloto em nosso espaçoplanador manobrou para estibordo e avistamos uma ilha de médio porte, mas quanto mais chegávamos perto da terra firme, mais daqueles seres “volkonianos” surgiam das águas. O piloto foi bravo, mas não pôde evitar que nossa nave fosse atacada e destruída. Enquanto eu caía, me lembrei do significado das palavras  que formavam o nome desse planeta: “Tun” significa “inevitável”, e “ikk”, morte. E eu acabei encontrando a minha nas presas daqueles seres…”

– Fim do registro –

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