Knock 1, 2, 3

Nada.

Não ouvia e nem enxergava nada. Era estranho, como estar coberto pelas trevas; e o estranho disso era não estar sentindo nada além de paz. Talvez finalmente tivesse morrido, quem sabe. Era mais simples do que pensava. Até que…

Uma banda toca ao fundo.

Quando começou a escutar aquela voz novamente, sentiu algo ‘puxar’ seu corpo pra cima, retirando-o das trevas e o fazendo… flutuar. Começou lentamente a subir, saindo de baixo dos escombros do que um dia foi seu carro,  agora capotado e destruído no meio da construção, coberto por algumas vigas que caíram na batida. Passou por dentro delas como se não fossem nada. Ou como se ele não fosse nada. Subia devagar e também via os acontecimentos ao redor em câmera lenta. Primeiro,  dois carros pararam próximos e alguns vampiros correram de maneira ridícula, por causa da “câmera lenta”, até seus escombros.
Levantaram as vigas com ferocidade e fuçaram no carro, procurando seu corpo. Logo o acharam, num momento que demorou minutos. Mas antes que fizessem qualquer coisa, um outro vampiro chegou. Havia descido de um carro muito mais pomposo e tinha uma aparência bem mais velha. Enquanto ele caminhava até os escombros, Travis chegava ao telhado de um prédio logo ao lado, sentando-se  próximo a uma mulher.

Era a vocalista, sem sombra de dúvidas.

Olhou-a por um momento enquanto ela continuava a cantar. Não conseguia ver uma banda em lugar algum, mas a música continuava. O vampiro mais velho finalmente chegou nos outros que agora haviam acabado de retirar o corpo dele dos escombros, arrastando-o sem cuidado até que estivesse completamente fora do carro. Ele era alguém importante, o vampiro mais velho, pois aparentemente deu algumas ordens e eles se afastaram do corpo de Travis sem argumentar e logo se retiraram do local, não muito felizes, mas satisfeitos com a morte dele.
O vampiro ancião, antes de se retirar também, olhou para cima, na direção da mulher e da dele, aparentemente olhando-a por uns momentos.

– Você é um demônio, não é? – Perguntou Travis. Recebeu um sorriso como resposta enquanto ela se aproximava de seu rosto, contando até 3 e “empurrando-o” para o solo.
Foi uma queda serena e devagar, quase um voo.
Caía de costas, olhando ela ainda no topo do prédio enquanto a música diminuía gradativamente até que ele tocou o solo e a música parou.

Acordou vivo e surpreso com isso.

Estava num hospital, coberto por bandagens e médicos que o olhavam atônitos. Logo foi tomado por questões e falas como “É um milagre você estar vivo” e coisas que logo esqueceu, pois apagou novamente. Acordou sabe-se lá quanto tempo depois num quarto, ainda no hospital. Não havia ninguém por perto. Olhou para os lados e percebeu uma pequena rosa vermelha com uma caixinha de música em cima do seu criado mudo. Esforçou-se para alcança-la e a abriu devagar, escutando novamente a música que ouviu quando aparentemente morreu.

Uma banda toca ao fundo.
Toda noite, agora.

 

(Parte final do meu conto ‘baseado’ na cantora Imelda May \o Para quem perdeu ou quer reler, aqui estão as outras partes:
Pt 1: Mayhem
Pt 2: Bury My Troubles
Pt 3: Johnny Got a Boom Boom
Pt 4: Watcha Gonna Do
Pt 5: Go Tell The Devil
Grato \o)

 

 

 

 

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2 comentários sobre “Knock 1, 2, 3

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