Fugir de quê? Fugir pra quê?

Ele sentiu que aquele dia ele conseguiria. Depois de dois meses só enrolando dentro do seu apartamento no centro, com o caos da cidade que o atordoava só de olhar pela janela, decidiu que faria as malas pra qualquer lugar ermo. Pensou numa cabana nas montanhas, onde lera, por tantas vezes, que escritores iam para buscar inspiração no meio da solidão e do verde. Fez pesquisas, consultou preços, olhou fotos. Nada o satisfizera. Só conseguiu pensar na nostalgia que sentiria indo pra algum desses lugares. A maioria das fotos ou era de família com filhos ou de casais apaixonados. Perguntou-se se pessoas solteiras viajavam ou só gastavam seus dinheiros em bares e baladas.

Considerou, então, ir à praia. No inverno, sim. Aliás, por que não? As possibilidades de estarem cheias eram tremendamente remotas e por estar fora de estação, os preços estariam mais acessíveis. Fez pesquisas, consultou preços, olhou fotos. Nada o satisfizera. Praia não era uma boa ideia. Aquele cheiro de mar entrando no apartamento, andar de tênis na areia, correr com aquele vento gelado vindo do mar.

Desceu pra piscina que tinha no condomínio, sentou-se na cadeira que lá havia. Começou a rabiscar, a fazer rascunhos, mesmo com aquele vento gelado com cheiro de poluição, barulho de carros, caminhões, motos, barulho de gente indo e vindo, gritando, conversando, rindo… Deu um suspiro, totalmente inspirado para o trabalho, e com um leve sorriso no rosto pra si mesmo, pensou “Não há lugar como o lar”.
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