Bury My Troubles

Estava vivo ainda.

Isso estava claro por alguns fatos como ele ainda ouvir a banda tocar ao fundo e a dor no corte no seu peito. Não sabia bem o porquê da banda ainda estar tocando, mas respeitava muito isso. Tampouco sabia quando havia sido atingido no peito, mas isso não era muito importante … seu atacante ou estava morto ou tinha fugido, como todo o resto das ‘pessoas’ do lugar, de qualquer maneira. Se levantou com dor e dificuldade dos escombros, do que um dia foram cadeiras, e bateu com as mãos em sua roupa, limpando a poeira, sangue e o que quer que fosse que estivesse ali, logo se dirigindo até suas pistolas caídas, sem munição e as guardando em seu coldre novamente.

A banda parou.

Bateu palmas com empolgação, falando “Bravo, Bravo!” e se aproximando do palco. A vocalista estava sorridente, como se tivesse acabado de fazer o melhor show de sua vida. O resto da banda estava trêmula e suada, como se tivesse tocado o último show de suas vidas. E isso quase fora verdade, não fosse algumas balas e estacas salvadoras de Travis. O baterista era o mais assustado. E o mais coberto de pó.

– Foi um ótimo show! Acho que é a primeira vez que faço meu trabalho com música ao vivo! Mas não se preocupem, não pretendo contrata-los para outras noites, infelizmente.

Sorria. O que era uma coisa estranha de ser vista naquele rosto duro e claramente não muito feliz. Remexeu em seus bolsos procurando algo com rapidez até que achou sua carteira. A abriu, retirou um maço não muito modesto de notas e entregou para a vocalista.

– Obrigado pela música. – Disse sem muitos rodeios, se virando e caminhando para o balcão, também jogando algumas notas ali, murmurando algo como “Pelo whisky” e já ia se retirar.

Ouviu um “Um, dois, três, quatro”

Uma guitarra começou a tocar, logo seguida de um trompete. Ele se virou e viu e ouviu a banda tocar, concentrada. Sua vocalista focava-se nele, assim como a letra, aparentemente. Deveria ter pressa em sair dali, mas alcançou uma garrafa de whisky caída atrás do balcão, se serviu num copo quebrado e aproveitou a música quase até o final, até que a dor no seu peito lhe disse que já era hora de partir. Estendeu o copo para a banda, terminou de beber e saiu na noite fria.

Foi um trabalho bem feito.

Caminhou com pressa até seu carro e desabou dolorosamente no banco. Precisava chegar em casa, tomar um banho, tomar uns analgésicos, tomar vários pontos, tentar dormir… Mas a música ecoava na sua cabeça. Em especial o último verso.

“Farewell ye gentlemen, goodbye my mental friends
Hear what, hear what I’m sayin’
Ashes and dust to dust, that is the end of us
Oh Lord, Oh Lord I’m prayin'”

Parecia se encaixar bem demais em tudo que havia acontecido. O cansaço o fez dar tudo isso como uma coincidência das grandes, porém.

Dentro do bar, a banda parou. Mas a dança deve, e vai, continuar numa outra noite.

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