Nostalgia

               

                Como é bom voltar pra minha querida terra-natal, a qual tive que deixar há meses pra tentar a vida na cidade grande. Minha terra não tem poluição, não tem trânsito caótico e engarrafamentos, e toda aquela sujeira urbana e barulho infernal.

Minha terra fica distante daqui, pelas estradas do Brasil, ora pavimentadas, ora de poeira. Da janela do ônibus vejo os verdes campos e os animais neles, pacatamente pastando. Lá posso ver o céu azul de ponta a ponta, durante o dia, e a malha brilhante de estrelas e nebulosas da Via Láctea, à noite.

Vocês amariam conhecer minha terra! Claro que lá o progresso é pequeno; não tem shopping, não tem baladas, não tem cinema, mas também não tem a pressa das pessoas nas calçadas, ou os crimes bárbaros e frequentes de sua cidade.

Na minha terra as crianças correm pelas ruas sem preocupação, brincam nos terrenos baldios, jogam bola na avenida principal, e suas mães não têm receio nenhum disso. As pipas coloridas dançam no céu, as bolinhas de gude pulam na poeira, os cães latem – não por medo, mas por alegria mesmo.

Quatorze meses já se passaram desde minha partida, e sou recebido com os braços abertos e sorrisos largos no portão de minha antiga casa. Primos, vizinhos e amigos foram avisados da minha chegada e vieram depois me ver. Recebi muitos abraços e os famosos “apareça mais vezes”. Minha mãe fez de almoço o meu prato favorito e minha avozinha fez bolo de milho com cobertura de chocolate e biscoitos, em seu velho fogão de lenha.

Nesse meio tempo as crianças cresceram: as meninas ficaram formosas e os meninos engrossaram a voz e os pelos no rosto surgiram. Meus irmãos em empregos novos, meu pai está tranquilo em seu negócio no centro da cidade, as coisas vão indo de vento em popa. Na verdade eles estão melhores aqui do que eu na minha nova vida. Mas não falo nada. Quem sou eu parar tirar a paz das pessoas de lá que tanto sofreram para merecê-la? Volto para a cidade grande, para o trânsito, o stress e o calor e nada mais mudará no lugar de onde eu vim.

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