Dias Negros – Capítulo IV: Filho, Filho e Espírito Santo

Uma onda da Elite Gantali engolfou o pequeno exército. Humanos e arcanjos defendiam-se como podiam, ferozmente. Gauthier, rápido como sempre, sumiu em meio àquela confusão e reapareceu sobre um dos ombros do gigante Kalantit, desferindo inúmeros golpes com a Coração Sagrado no pescoço da criatura. Jorge e Azrael livraram-se de alguns demônios e voaram em direção ao seu Senhor, ajudando-o a golpear o filho de Jommarath com suas espadas e lanças. Daniel, que a essa altura já havia recebido de Amara um rifle, estava fuzilando alguns Gantali quando repentinamente parou e olhou em direção a Kalantit, com os olhos em chamas e uma expressão seriíssima longe de ser dele próprio. Gauthier e Miguel (que estava esmagando um crânio alienígena com seu pé enquanto atravessava outros alienígenas com sua espada) pararam por um momento e olharam na direção de Daniel, que estava com uma aura luminosa. Até Kalantit titubeou por um instante.

– Veja, Jorge – disse o Filho do Homem para o Santo Guerreiro – Ele está de volta! E agindo através de Daniel!

– Formidável! Isso explica por que eu voltei após ser covardemente erradicado na batalha durante a invasão. – respondeu Jorge.

Uma luz sai a partir de Daniel, de baixo para o alto, e ele cai no chão, de joelhos, e em meio ao feixe luminoso surgiu aquela bela mulher que o soldado viu em sonhos, flutuando sobre a multidão de demônios, arcanjos e humanos, todos atônitos, e gesticulou para Kalantit, que sentiu uma dor lancinante, pondo as mãos sobre as têmporas. Daniel se levanta confuso, e não vê um Gantali voando em sua direção. Amara corre em sua direção, pondo-se entre o humano e o alienígena, e o acerta com a coronha de seu rifle.

– Daniel, cuidado! – ela grita.

Ele olha para o lado, assustado, e a vê sendo atacada pelas costas por um veloz demônio. Amara cai no chão, com arranhões profundos.

– Amara! – ele grita, fuzilando o Gantali traiçoeiro.

Nisso, Kalantit surpreende a todos, acertando o campo de batalha com um soco. Várias vítimas foram feitas. Daniel é salvo por um atento Miguel, que voa dali carregando-o.

Jorge cavalga com seu cavalo branco para mais alto no céu, dá meia volta e arremessa sua lança flamejante, atingindo Kalantit no peito, que urra de dor, enquanto Gauthier, Azrael e três outros arcanjos golpeiam incessantemente o gigante no pescoço, costas, cabeça e ombros. Este começa a cambalear. A mulher luminosa, que ainda flutuava por ali, ergue a mão direita em direção ao gigante e o acerta com um intenso e poderoso feixe de luz, desintegrando-o lentamente, fazendo-o gritar mais forte do que nunca e o esfacela, só deixando em seu lugar uma coluna de fumaça negra, que foi soprada lentamente pelo vento.

            Não houve comemoração dessa vez. Foi uma vitória vazia, pois todos os humanos foram mortos, exceto por Daniel. Dos arcanjos, só sobraram cinco, já incluindo Miguel e Azrael. O campo de batalha era uma cena lamentável de se ver.

Gauthier, Jorge e os arcanjos estavam olhando para aquela carnificina quando a mulher de luz flutuou para perto deles, com tristeza no olhar.

– Espírito Santo! – disse Miguel, reverenciando-a, e sendo imitado pelos outros arcanjos.

Vésper, que bom que você está entre nós! – afirmou Gauthier, sorrindo e aproximando-se delas.

– Senhor, precisamos nos unir para resgatar o Criador das garras do inimigo. E, em tempos como esse, devemos abrir mão de rixas milenares e aceitar qualquer ajuda. – afirmou a bela dama que detinha 30% do poder da Santíssima Trindade.

– Sim, para situações extremas, medidas extremas. – respondeu Gauthier.

Daniel estava a alguns metros deles, olhando para o corpo inerte de Amara no “chão”, em meio aquele emaranhado de corpos de humanos e Gantali.

– Daniel, não temos tempo para chorar pelos mortos. Precisamos ir, criança. – disse Vésper.

Ele aproximou-se do grupo, sempre com o olhar baixo (talvez para esconder seus olhos mareados), e Vésper ergueu um braço, e o grupo todo sumiu dali.

Reapareceram num lugar desértico, de areia vermelho-ferrugem.

– Onde estamos? – perguntou Daniel, desorientado.

– Deserto de Gobi, na China. – respondeu Vésper.

Daniel não conhecia essa parte da China, pois só havia lutado em Pequim durante a guerra.

– Nosso aliado está chegando, cavalheiros. – disse o Espírito Santo, apontando para uma bela loira vindo na direção deles.

– Quem diria que esse dia chegaria, não é mesmo, Jesus? – ela disse.

E Gauthier, atônito, replicou:

– Lúcifer?

Trilha sonora:

Pra quem perdeu os capítulos anteriores:

Capítulo I: Encontrando o Exército

Capítulo II: Batalha em Céu de Ouro

Capítulo III: Daniel na Cova dos Leões

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