27

Uma garota magra, de pele branca e cabelos negros, compridos e volumosos, amarrados no topo de sua cabeça, usando um vestidinho preto, chegou sozinha naquele lugar: era claro e calmo, com poucos objetos, cercado por colunas jônicas e com vista para uma vastidão azul. Ela parou em frente ao umbral de uma porta alta, olhou rapidamente para os detalhes da arquitetura, mas logo desistiu, pois isso nunca havido lhe chamado a atenção antes.
Ela passou pela porta e adentrou um recinto grande, com uma mesa no centro, cercado de cadeiras. Em algumas delas estavam sentadas algumas pessoas: um homem negro com cabelo alto, quase Black Power; uma mulher morena de cabelos castanhos, compridos e levemente ondulados; um garoto crespo e outro loiro, cabelos compridos até a nuca.
– Quem é você? – perguntou o crespo.
– Meu nome é Amy. – respondeu ela. E completou: – Vocês são quem eu penso quem são?
– Você estava nos esperando? – perguntou a outra mulher, de voz rouca.
– Acabei de chegar.
– Todos nós também, não faz dez minutos. – respondeu o negro.
– Peraí… Vocês são mesmo Jimi, Janis, Jim e Kurt? – perguntou Amy, embasbacada.
– Vejam, gente, ela conhece todos nós! – disse Jim, o crespo, olhando para os outros, que tinham, em sua maioria, os olhos brilhando de admiração. E Jim continuou:
– Se você está aqui, é por que tem algo em comum conosco, não é?
– Quisera eu fosse verdade. Vocês são tipo, o máximo! São lendas! – disse Amy
– Você é nossa fã? Não parece que você veio dos anos 70… – disse Janis, a outra moça, olhando para Jim e Jimi, que assentiram com a cabeça.
– E não vi nada nesse estilo nos anos 90 também. – disse o até então calado Kurt, o loiro.
– Jimi, você é considerado o Deus da Guitarra, e Janis, sua voz doce arrebata corações até os dias atuais! – confessou Amy.
– OK, querida… Fale de você agora. Você é uma cantora também, né? – perguntou Janis.
– Sim, mas você era melhor.
– Ah, não seja modesta!
– Tá, eu era muito elogiada. Mas meio que pirei com as drogas e…
– Sei bem como é. – respondeu Janis.
– E daí você pôs um ponto final? A vida te doía muito também? – sondou Kurt.
– Não, não foi isso… Até que ela era boa. Mas fui eu quem não conseguiu lidar com toda a fama e o dinheiro…
Silêncio constrangedor. Amy então perguntou:
– Peraí, vocês disseram que chegaram juntos aqui?
– Sim, praticamente. – disse Jimi.
– Mesmo eu tendo morrido um ano depois de Jimi e Janis. – disse Jim.
– E eu, vinte anos depois deles. – completou Kurt.
– Mas gente… vocês sabem por que? Tem todo esse lance por causa da nossa idade…
Amy foi interrompida por Jim:
– Você também tem 27 anos?
– Sim! Todos aqui têm, certo?
Todos se entreolharam, espantados.
– Vejam só. Temos mais um integrante pro clube! – apontou Jimi.
Todos olharam o novo chegado que adentrava na porta.

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P.S.: Por motivo de doença não consegui aprontar a tempo a continuação do meu conto “Dias Negros” para hoje, mas vou tentar postá-lo ainda nesta semana ou no máximo até à próxima terça.

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Um comentário sobre “27

  1. Parece uma historia que tem num livro do Stephen King, dentro do nightmares and dreamscapes. Um casal para numa cidade no meio do nada e eh cheio de celebridades e tal. hehehe.

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