Iogurtes


Braga, trinta e dois anos, era publicitário, morava sozinho em um sala e quarto onde passava as noites dedicado a TV a cabo, cerveja e pizza congelada, talvez por isso a barriga já fosse um pouco saliente.
Fernanda tinha vinte e poucos, recém formada em Jornalismo trabalhava no jornal local e há pouco tinha começado na coluna policial do jornal da cidade, ganhara de presente do pai pela formatura um apartamentinho numa região boa da cidade.
Braga reclamava baixo dos preços dos iogurtes enquanto ponderava mentalmente levar ou não duas bandeijas de Danoninho, Fernanda selecionava alguns copinhos de iogurte natural, queria -embora não fosse preciso- começar uma dieta. Em meio as prateleiras as mãos se cruzaram, -Perdão… disse Fernanda com um sorriso tímido nos lábios, enquanto Braga olhou para os olhos da mulher rapidamente, desviando os olhos para as mãos da moça, procurava uma aliança. -Sem problemas. Deu um sorriso de canto, Fernanda pegou os iogurtes e saiu.
-Sem problemas?! Como assim, Sem problemas, Aloísio Braga?! Braga praguejou por alguns minutos como pôde falar só isso para uma mulher como aquela, quais seriam as reais chances de ter contato com ela novamente?
Fernanda se dirigiu ao caixa inquieta. O que ele homem queria? Tinha gostado da forma com que ele tinha olhado e tinha sentido uma certa malícia no “sem problemas”, que homem era aquele, meu Deus, pensou.
Braga continuou empurrando o carrinho, procurando por uma fila mais vazia, para sua alegria avistou a sua musa dos laticínios, parou o carrinho atrás dela e ficou ali calado, esperava que ela o percebesse ali e fizesse algum comentário do ocorrido minutos antes. Mas nada aconteceu.
Fernanda passava suas compras na esteira, entregou o cartão à caixa operadora.
-Quantas vezes, Dona Fernanda?!
-Uma.
-Hmmm, então é Fernanda o nome dela! Pensou Braga, era talvez o meio de chamar atenção da moça.
Fernanda pagou as compras, pegou as sacolas e saiu.
Braga passou aquelas três bandeijas de Danoninho e as quatro caixas de pizza congelada. Pagou em dinheiro, queria ganhar tempo, quem sabe ainda pudesse tentar puxar assunto com sua musa.
Não a encontrou, foi até o estacionamento, colocou as sacolas no banco de trás do carro, entregou o comprovante na guarita e saiu pensando naquela mulher. Assim que saiu na rua, viu Fernanda caminhando em direção ao ponto de ônibus. Ponderou por alguns segundos tentar falar com ela ou não. -Melhor não. E passou rapidamente pelo sinal.
E Fernanda? Ela passou o resto do caminho, entre pegar o ônibus e chegar em praguejando que era uma solteirona e que deveria ser das mais sem graça, já que nunca homem algum dava atenção a ela.

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