Dias Negros – Capítulo II: Batalha em Céu de Ouro

Enquanto caminhava sobre nuvens douradas, Daniel ficou sabendo através de Gauthier que Azrael e seu bando de anjos na verdade são ‘arcanjos’, uma classe superior de guerreiros celestiais que, ao contrário dos frágeis anjos, souberam se defender melhor do ataque invasor, e não foram praticamente extintos, entretanto seu número foi drasticamente reduzido. O desaparecimento de Miguel, o mais poderoso dos arcanjos, foi a maior perda entre os seres celestiais.

Daniel também foi informado que os demônios invasores não são na verdade “alienígenas”, vindos de outro planeta, mas criaturas malignas oriundas de outra dimensão, outro plano inferior ao nosso, e que são conhecidos como “Gantali”. O líder deles, Jommarath, que é idolatrado como um deus criador/destruidor em sua dimensão-natal, veio ao nosso planeta acompanhado por seus filhos Yorg e Kalantit, não tão poderosos como seu progenitor, mas ainda sim de poder incomensurável. Eles são os generais de Jommarath: Yorg vigia a metade da Terra banhada pela luz solar e Kalantit vigia a metade coberta pelas sombras, e a posição de ambos varia conforme a rotação do planeta.

Gauthier explica que Jommarath decidiu invadir nosso plano para anexar o Trono de Deus aos seus domínios, pois ele é um conquistador, e escolheu esse momento pelo fato de seu Pai estar enfraquecido pelo fato de o poder divino ser alimentado pela fé que as pessoas têm nele, e depois das guerras, crises mundiais e migração para outros credos, Deus perdeu uma fração de Seu poder. Também explicou que a “Santíssima Trindade”, a expressão que define que Pai, Filho e Espírito Santo são um só não se refere ao trio como sendo uma única entidade: eles são três distintas, o único detalhe compartilhado é a fonte de poder, que é um só, a fé. Deus fica com 60% do poder divino, o Espírito Santo, que é a ferramenta usada pelo Criador para agir na Terra, fica com 30%, e ele próprio, Gauthier, possui apenas 10%, e acredita que, assim como a Santíssima Trindade, Jommarath e seus dois filhos compartilham da mesma fonte de poder, que é alimentada pela destruição, medo e todos os sentimentos negativos de suas vítimas.

Daniel e Gauthier, acompanhados por Solomon, Azrael, e o exército de arcanjos e humanos, agora se infiltraram no plano celestial – graças aos poderes de Gauthier –, onde viviam os anjos, que atualmente está sendo usado como posto de vigilância de Yorg. Estavam caminhando por 30, 40 minutos e havia enfrentando dezenas de Gantali voadores, que os atacaram em 6 ou 7 levas, quando se depararam com mais um grupo de criaturas, que pareciam estar protegendo alguma coisa. Alguns deles, ao avistarem o grupo da resistência, atacaram-lhes enquanto outra parcela dos monstros continuou fazendo seja lá o que estava fazendo. Após uma rápida batalha com a derrota das criaturas (graças ao poderio combinado de Ghautier, com sua espada chamada Coração Sagrado, e dos arcanjos), os Gantali remanescentes fugiram, sendo que essa foi a primeira vez que os humanos viram-no fazendo isso, quando Solomon gritou, apontando para onde os monstros estavam:

– Vejam! Ali no chão! Mas o quê..?

E Ghautier exclamou: – Miguel!

Todos correram na direção da figura caída, e ficaram num misto de surpresa e aflição ao perceberam que se tratava mesmo do líder arcanjo, e que este estava num estado deplorável, inconsciente, com a armadura destruída, muito sangue (dourado) e parte da “pele” arrancada, revelando a verdadeira essência de um anjo: luz pura.

Azrael segurou a cabeça do amigo com as duas mãos e Ghautier acocorou-se perto dele, colocou a mão direita sobre o arcanjo ferido e disse:

– Tudo bem, pessoal, ele vai ficar bem agora… E Miguel despertou de sobressalto, e disse:

– Mas que… Onde estou?

– Você está entre amigos agora, Miguel. – disse um Gauthier sorridente.

– Como ele se salvou? Eu o vi sendo massacrado por uma horda de monstros… – indagou um perplexo Azrael.

– Você acha que seria assim tão fácil acabar com o mais poderoso dos guardiões do Céu? Que anjo de pouca fé você é… – ironizou Gauthier. Todos riram.

Miguel levantou-se e já estava sarando, e o grupo continuou sua caminhada. Alguns minutos depois tiveram uma aterrorizante visão: um monstro maior do que qualquer outro, com mais ou menos 15 metros de altura, estava sentado e de costas, olhando a Terra lá embaixo por um vão entre as nuvens.

– Yorg. – sussurrou Solomon, e foi o primeiro atirar. Seus homens o copiaram e começaram a disparar também. Mas não se ouviu bala atingindo um alvo, ou um monstro sentindo dor, nem sequer esboçando uma reação – as balas atravessaram Yorg, como se ele fosse uma mera ilusão.

– Mas que por…? – se interrompeu Daniel.

– Ele é uma criatura espiritual. Não pode ser ferido por armas humanas. – justificou Ghautier.

– Mas você pode, não é? – Daniel perguntou, preocupado.

– Sim, eu posso. E mais. Amigos, atirem agora! – ordenou Ghautier, que foi obedecido. Balas voaram pelo ar e atingiram o monstro. Cada projétil provocava uma microexplosão ao acertar o alvo. Yorg parecia não estar sentindo dor, mas dessa vez virou sua cabeça em direção aos seus agressores e seu ato seguinte foi tão veloz que surpreendeu a todos: seus olhos brilharam como o mais vívido fogo e lançou uma rajada flamejante em direção aos soldados, pulverizando instantaneamente Solomon Gama e outras três pessoas.

– Nãaaao!

– Solomon!! – gritaram Ghautier e Daniel, respectivamente.

Os arcanjos voaram em direção ao gigante tão velozmente e com tamanha fúria que pareciam kamikazes. Os soldados humanos descarregaram sua munição no dorso do monstro. Mas Ghautier e Daniel estavam parados na cratera fumegante onde os soldados foram fulminados, com olhar de desolação, e o ex-soldado da Guerra da China falou:

– Traga-os de volta! Faça como você fez com Lázaro!

– Eu não posso sair por aí ressuscitando as pessoas, Daniel. Além do que meu poder está limitado, eu lhe contei isso. E Solomon morreu lutando por aquilo que acreditava.

Em meio ao som da batalha, ouviu-se um trovejante cavalgar. Daniel e Ghautier olharam pra cima, e o primeiro mal pode acreditar no que seus olhos viam: um cavaleiro de armadura completa, empunhando uma lança que brilhava mais que o próprio sol, montando um cavalo que estava cavalgando no ar, na vertical, indo a toda velocidade em direção a Yorg, arremessou sua arma que caiu como um raio no crânio do rebento de Jommarath, e este urrou como mil javalis sendo abatidos, e cambaleou.

Jorge, o Santo Guerreiro… – disse Ghautier, com um sorriso no canto da boca.

– Como é que é!? – disse Daniel, espantado.

Nisso, veio correndo Amara, uma dos soldados de Solomon, e disse a Daniel:

– Você não vai pirar agora, né?

Jorge e seu cavalo “voavam” em círculos ao redor de Yorg, estudando um melhor ângulo para atacá-lo, enquanto os arcanjos continuavam seu trabalho em fustigar o couro da criatura com suas espadas e lanças, num espetáculo pirotécnico de fazer inveja a qualquer show do Kiss. Foi quando o santo acertou a face do monstro com sua espada, arrancando sangue escuro com o golpe, e Yorg urrou novamente, caindo de costas com a cabeça a poucos metros de Gauthier. Este, sem hesitar, salta sobre a criatura e crava a Coração Sagrado entre seus olhos, eliminando de vez o general inimigo, que se desfaz em cacos brilhantes de cor púrpura.

Todos comemoraram. Os arcanjos pousaram, juntando-se aos humanos, que já estavam se reagrupando junto a Gauthier, que olhava para Jorge que vinha cavalgando em sua direção.

– Você vai me contar tudo como veio parar aqui, hein… – disse o Filho de Deus, apertando a mão do Santo Guerreiro.

– É uma honra servir à causa do Filho do Homem! – respondeu Jorge, curvando-se, respeitosamente.

A maioria ainda estava comemorando a vitória parcial, e outra parte lamentava a perda de Solomon Gama, contemplando aquela mórbida cratera feita nas nuvens, quando todos se espantaram a ouvir o grito de Amara:

– Daniel!!

E um monstro carregou nosso herói para o alto, entrando num portal em seguida, e desaparecendo antes que qualquer um pudesse esboçar qualquer reação…

Trilha sonora:

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