(Uma) Mão Amiga

Otávio passou dos quarenta, quarenta e sete para ser mais exato, e depois de muita insistência da esposa, foi ao urologista fazer o temido exame de toque…
Enquanto Leôncio tinha ouvido no almoço em família de domingo uma palavra que agora estaria para sempre na sua memória até o fim de seus dias: Vovô.
Os dois encontraram-se na sala de espera do Doutor Froes, conhecido urologista da cidade.  Otávio era o mais apreensivo dos dois, comentava com Leôncio que só estava ali por causa da esposa, que insistia que ele fizesse o exame, uma vez que já tem dois anos que ela mesma faiza exames de mama regularmente. -Antes uma mulher apertando o peitos de outra mulher do que um cara enfiando os dedos no cu do outro, não acha?!, indagou Otávio a Leôncio, que balançou a cabeça em sentido positivo e emendou, -É.. mas não é bem isso que me preocupa… Esse domingo agora, minha filhinha, o meu bebê me diz que tá grávida… pode uma coisa dessas?! Eu, com recém quarenta e nove e avô?! Meu mundo acabou… -Mas quantos…  Otávio mal terminou a frase e Leôncio suspirou -Vinte e três. Otávio achou a preocupação do homem desnecessária, afinal o que era um neto diante alguns minutos de um exame de toque? e continuou -Mas cara… são dedos no teu cu, pensa bem. É um troço embaraçoso para nós, homens porque imagina a situação…  E gesticulava de forma frenética, deixando Leôncio incabulado – Olha meu amigo, tu não me leva a mal não mas, um dedo ou dois na minha bunda não fazem lá muita diferença agora… meu mundo acabou, já te disse.
A secretária do Doutor Froes chamou Otávio, que levantou rapidamente e quando passou ao lado de Leôncio deu um tapa nos ombros do homem e disse que o manteria informado de como seria aquele exame. Leôncio deu um sorriso amarelo e deu de ombros para o que Otávio dizia.
Otávio entrou no corredor acompanhado da secretária. Sacou o celular e mandou um SMS para a esposa, dizia que estava num corredor escuro e misterioso e que talvez aquela fosse a última mensagem. Assinou o SMS dizendo que amava muito a esposa e que o testamento estava em um envelope dentro do roupeiro, caso ele não viesse a sair vivo dali.
Enquanto isso, na sala de espera Leôncio suava frio… A idéia de ser avô ainda não tinha lhe caído bem, a imagem da filha e o namorado anunciando que ele seria vovô não era das mais agradáveis, lembrou também da expressão de felicidade da esposa, essa sim ficou entusiasmada com a idéia. Foi analisando cada um dos fatos. O namorado da filha era bom sujeito, fazia faculdade de administração e trabalhava no escritório da família, não tinha com que se preocupar. A filha só estudava, estudante do quarto semestre de psicologia, era boa filha  nunca tinha dado nenhuma preocupação “Se bem que teve aquela vez que encontrei cigarros na bolsa dela…” pensou ele, mas aí lembrou que naquela época a filha tinha recém dezesseis anos e era coisa de adolescente rebelde, lembrou do choro da menina e do arrependimento… era uma boa filha afinal. Mas um neto? UM NETO? Não. Ainda não se sentia preparado para tal.

Continua semana que vem. 😉

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Um comentário sobre “(Uma) Mão Amiga

  1. Que tenso esse dedo médio gigante, hein! Hehehe…
    Muito bom ficou! Que bom que tu conseguiu tirar alguma coisa mais “encorpada” do nosso primeiro post.
    Aguardemos novos capítulos.

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