Dias Negros – Capítulo I: Encontrando o Exército

A Humanidade vive sua hora mais negra. Não se sabe como ou nem mesmo de onde, mas quando esses “alienígenas” chegaram o céu se escureceu e 90% de todos os seres vivos do planeta foram mortos. Até mesmo os anjos foram aniquilados, caindo do céu, empapuçados em seu sangue dourado.

Mas havia um ex-soldado que lutou na Guerra da China em 2035, chamado Daniel Salamander, que descobriu que havia mais coisas entre o céu e a terra que suporia nossa vã filosofia, mesmo depois de ter visto aliens e anjos. Três meses depois deste evento apocalíptico, ele estava vagando pela Europa à procura de abrigo e comida quando foi encontrado por um vigoroso velho chamado Solomon Gama. Solomon, acompanhado por um punhado de homens, disse que era um padre antes da queda dos anjos, e que agora luta contra as hordas invasoras e está arregimentando um exército, por isso chegou até Daniel, que se espantou ao ver como aquele homem da Igreja andava armado.

– Você e mais vinte homens são tudo o que temos para deter os monstros do espaço? – ironizou Daniel.

– Nós temos consciência, jovenzinho, de que nosso grupo é muito pequeno perto do exército inimigo, mas é que você ainda não viu Gauthier, nosso amigo, lutando. – respondeu Solomon, com um sorriso no canto da boca.

Daniel ficou curioso, mas não perguntou nada. Aceitou fazer parte daquele grupo (afinal, sobreviver em bando é mais fácil do que sozinho) e caminhou junto a eles em direção a uma estação de trem – hoje abandonada – onde Solomon tinha uma locomotiva com suprimentos. Todos subiram a bordo e Daniel recebeu mais armamento (ele já andava com um fuzil militar russo) e munição, e ficou impressionado com todo o arsenal do ex-padre e seu grupo.

A viagem no trem, que teve algumas paradas durante o percurso, durou dois dias, e ao chegarem a algum lugar na fronteira entre a França e a Alemanha, Daniel notou que o céu ali era diferente, meio arroxeado, e como se o ar por ali fosse repleto de fragmentos, mas antes que pudesse tecer algum comentário, eles foram recebidos por um grupo de mais ou menos dez pessoas – com adolescentes e até mulheres, todos armados – que eram liderados por um homem desarmado que aparentava ter seus trinta e poucos anos, cabelos castanhos, longos e amarrados, vestes elegantes e nada militares, e que, sorrindo, estendeu a mão para Daniel e cumprimentou-o, dizendo:

– Olá, Sr. Salamander! Posso chamá-lo de Daniel? E antes que o ex-soldado tentasse esboçar uma resposta, completou: – Estávamos esperando por você. Soube da história de sua carreira militar e temos plena certeza de que seu auxílio será muito bem vindo à nossa congregação.

– Mesmo que eu ainda prefira nos chamar de “exército”. – retrucou Solomon, que emendou: – Daniel, este é que é o famoso Gauthier, nosso mais valioso soldado e nosso destemido líder.

– Já falei que eu ainda voto para que você seja o líder, Solomon… – disse Gauthier.

– Prazer, Sr. Gauthier! Respondeu Daniel, encabulado.

Uma coisa que intrigou Daniel é que desde o momento em que Gauthier estava há mais ou menos dois metros até o presente momento, uma tranquilidade e certo entorpecimento atingiram o seu corpo, como se a tensão que ele sentia todos os dias para sobreviver a este mundo e até mesmo a dormência que sentia nas pernas devido à longa viagem de trem tivessem milagrosamente desaparecido. Mas ele não falou nada sobre isso e guardou para si. Daniel havia parado para pensar sobre essa sensação e quando voltou a prestar mais atenção ao seu redor viu que Gauthier e Solomon estavam trocando informações, bem como os seus homens, e chegou mais perto para tentar entender o que estava acontecendo ali. Foi quando Gauthier disse:

– As criaturas se incomodaram com nossa movimentação e estão voando pra cá. Falou apontando para a parte roxa no céu, e Daniel pode vislumbrar um grupo de monstros alados se aproximando e todos os soldados ergueram suas armas em direção a eles. Quando as criaturas se aproximaram mais, todos abriram fogo e Daniel imitou o grupo, e algumas criaturas foram atingidas, mas como elas eram muito resistentes, somente duas ou três pareceram morrer aos tiros e tombaram ao chão. Quando a legião alienígena aterrissou, o número de disparos das armas aumentou e mais monstros morreram, mas eles se mostraram ainda mais ágeis em solo do que em pleno ar, e feriram muitos dos soldados. Foi quando Daniel presenciou a coisa mais incrível que um humano poderia fazer: ele viu Gauthier abrir a mão com a palma virada pra cima e uma espada materializou-se sobre ela. Gauthier empunhou rapidamente a espada e partiu em alta velocidade entre os monstros, cortando-os e dizimando todos. Todos os soldados ergueram os braços e gritaram urras e vivas, e Daniel sorriu, ainda tentando entender o ocorrido, quando olhou novamente para o céu e viu um grupo de novos aliens três vezes maior que o primeiro, desta vez sendo atacado por homens voadores que Daniel rapidamente percebeu se tratar de anjos de armadura que lutavam usando espadas e lanças. O exército também voltou sua atenção para o céu e presenciou a batalha dos seres celestiais contra os monstros invasores, numa batalha que durou entre 3 a 5 minutos.

Os anjos aterrissaram próximo aos homens armados e foram recebidos calorosamente pelos soldados, e caminharam em direção a Gauthier. Um deles, que parecia liderar aquele grupo de anjos com formas masculinas e femininas, tinha cabelos castanhos (ao contrário do resto que eram loiros) e se ajoelhou em frente a Gauthier, imitado pelos outros, e disse:

– Senhor.

– Bom trabalho, Azrael! E então… Miguel se foi mesmo? – disse Gauthier.

– Sim, Rei dos Reis. Infelizmente nosso general foi obliterado pelos Gantali.

Todos olharam perplexos para Daniel quando este, de súbito, interrompeu a conversa, perguntando:

– Espera aí, quero tentar entender… Você é Jesus? Dirigindo a pergunta a Gauthier.

– Meu nome é Gauthier. Está certo que já tive muitos títulos, como Senhor, Filho do Homem, Nazareno, Emanuel, Cordeiro… E também Jesus Cristo.

Daniel quase não conseguiu acreditar e estava com a boca aberta quando olhou para todos os rostos sorridentes que os estavam olhando, quando Gauthier tomou novamente a palavra:

– Daniel, esse grupo de bravos homens e anjos está unido para resgatar o meu Pai e livrar nosso mundo dessas criaturas do mal. Você vai nos ajudar?

Trilha sonora:

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