- Você quer? – ele perguntou, disposto a servi-la
- Quero – ela respondeu, meio sem jeito
- Então pede!
- Não!
- Mas você não quer?
- Quero, mas não sei pedir…
- Então se você não sabe pedir vai ficar sem nada.
- Tá, vamos pra um lugar menos movimentado, não quero que ninguém nos veja.
- Entra aqui.
Viraram à direita na próxima esquina, ao invés de seguirem por aquela rua. Ela adorava este jogo. Sabia muito bem como jogá-lo e na maioria das vezes saía ganhando. Pararam em um canto escuro.
- Me beija.
Beijou-a com ímpeto, seu corpo já respondendo aos estímulos que ela lhe proporcionava.
- Me abraça.
Estreitou-a em seus braços, protetor e afobado, como se quisesse violentá-la ali mesmo, mas ao mesmo tempo como se quisesse defendê-la de si próprio.
- Me dá sua mão.
Ela conduziu lentamente as mãos dele. Das suas costas para os seios, dos seios para os quadris. Ele não aceitou perder o controle da situação. Enfiou a mão por dentro da calça jeans apertada que ela usava.
- Ei, devagar, pode aparecer alguém!
- Não vai aparecer ninguém. A gente vai perceber se alguém vier.
Os dois estavam estrategicamente posicionados em um espaço entre dois prédios, que tinha algumas plantas e arbustos; um pequeno jardim para enfeitar o muro externo. Dois pinheiros e uma outra árvore formavam um triângulo, um esconderijo perfeito para eles. Beijaram-se durante algum tempo, trocando gemidos e carinhos abaixo da cintura. Ele abriu o botão da calça.
- Nem vem. Aqui não. Pode aparecer alguém.
- Só um pouquinho, rapidinho. Dá um beijinho aqui.
- Então pede!
- Não senhora, este jogo é meu!
- Ou pede, ou fica sem…
- Põe a mão aqui dentro.
Ela enfiou a mão direita dentro da calça dele, enquanto a esquerda afagava seus cabelos e provocava arrepios em sua nuca. Não precisava mais de comandos, já sabia exatamente o que fazer a partir dali: pedir algo que o agradasse.
- Me fala aquelas besteiras todas.
- Achei que você não gostasse.
- Agora eu gosto.
Ela não gostava. Achava sujo. Achava-se uma puta quando ria das sacanagens que ele lhe sussurrava ao ouvido. Mas adorava, porque assim ele lhe roçava a barba bem junto ao lóbulo esquerdo da orelha. Mal sabia ele, mas a consequência da costumeira preguiça de barbear-se causava nela arrepios indescritíveis. Em um destes arrepios ela soltou um suspiro.
- Você já foi?
- Já, sim.
- Mentirosa.
Ele a beijou novamente. A boca, o queixo, o pescoço e o ombro. Olhou em volta, não havia ninguém na rua. Mesmo o vigia noturno que costumava passar por ali a cada meia hora parecia ter se atrasado, como que adivinhando a cena e não querendo se intrometer. Intensificou o ritmo da língua em sua boca, e dos dedos em seu clitóris. Sentia que ela respondia, sentia também o seu coração bater mais rápido, mas só parou depois de ouvir um gemido abafado. Ela se deixou cair nos braços dele.
- E agora?
- Sim.
- Tá vindo alguém. Bora sair daqui.
O vigia noturno não viu nada, a não ser um casal que se abraçou e continuou a andar, naquela rua onde não passava muita gente. “Lugar estranho para namorar… Embaixo da câmera de segurança?”
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Contribuição de: LP.
