A Águia e a Serpente

Uma serpente esverdeada se arrastava apressadamente pelo terreno arenoso de uma planície quente e desértica, quando num rasante, foi apanhada por uma águia. Mal teve tempo de tentar entender o que estava acontecendo até sentir as garras da ave afundarem em seu couro escamoso, causando-lhe dor.

- Por favor, águia! Eu não lhe fiz mal. Por que você está me levando? – indagou a serpente.

- Você será o alimento de meus dois filhotes que estão no topo da montanha esperando por mim, famintos. – respondeu a águia.

A serpente se desesperou por um instante, mas logo pensou em algo que pudesse lhe tirar daquela situação:

- Não, você não pode me matar assim! E o que será dos meus filhotes também?

- Rá! Você quer me enganar dizendo que tem filhotes só por que eu falei dos meus. Não vou cair nessa! – desdenhou a ave.

- Eu juro que é verdade, águia! Posso até mostrá-los a você pra provar que não estou mentindo, e depois posso lhe mostrar onde fica uma toca cheia de ratos para que você possa levá-los aos seus filhotes. Eu estava indo pra lá agorinha mesmo para capturar um pros meus.

- Tudo bem, mas antes me mostre seus filhotes, pois só assim vou saber que você não está apenas tentando livrar-se de mim. – respondeu a águia. A serpente concordou, e indicou o caminho.

Durante o voo, a serpente, agora menos preocupada com sua vida, pode aproveitar melhor a viagem já que ela nunca saiu do chão, onde era obrigada a arrastar-se sua vida inteira pela areia escaldante e engolir poeira, e emocionou-se com aquela sensação de liberdade de estar voando, e de sentir o vento bater por todas suas escamas, e de poder ver o mundo lá embaixo todo em miniatura. Ela sentiu-se superior por um instante.

A serpente apontou uma pedra grande e a águia mergulhou, pousando perto dela e largando o réptil no solo, e pode ver alguns filhotes de sua presa se mexerem debaixo de um vão da rocha, onde fazia sombra. Os filhotes agitaram-se ao ver a mãe, mas não chegaram perto por medo da águia.

- Aí está a prova de que eu não estava mentindo. – disse a serpente.

- Está certo, já percebi. Agora me mostre onde ficam os ratos. – respondeu a águia.

Quando a serpente aproximou-se da águia, desferiu um bote, picando uma das pernas da ave, não dando nem tempo para uma reação. A águia debateu-se e tentou alçar voo, mas era tarde demais: a peçonha já estava agindo e ela sentiu muito dor e enorme fraqueza. Ela desesperou-se, afastando-se da serpente e deixando cair algumas penas ao bater freneticamente as asas, em vão, e perguntou, com voz fraca:

- Por que você fez isso, serpente? Eu estava de acordo com o que você pediu. Eu ia fazer a minha parte e poupar a sua vida!

- Assim como o seu papel é voar livre pelos céus e ver o mundo de cima, como se fosse superior, e se alimentar das criaturas indefesas que rastejam pelo solo, o meu é de usar meu veneno naqueles que ameaçam a minha vida e a de meus filhotes. Adeus, serpente!

O veneno da serpente era poderosíssimo, e a águia já estava inerte no chão e em poucos minutos finalmente morreu, e a serpente e suas pequenas serpentinhas tiveram comida por vários dias.

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Esse post foi o desafio lançado pelo Michel. E quem eu desafio é o Luís, para escrever sobre o tema “maçã”.

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